Lesões musculares são uma das lesões mais comuns do sistema musculoesquelético, e envolve desde indivíduos comuns em ambientes de academias a atletas profissionais. Segundo Loizides e colaboradores (2017) as lesões musculares apresentam uma incidência de 31%, sendo as lesões mais comuns em jogadores de futebol profissional, com um terço dessas lesões observadas nos isquiostibiais, seguida dos adutores (21%), quadríceps (14%) e tríceps sural (12%), como também da parte superior do corpo (com maior prevalência durante os exercícios de supino) (Noteboom, n.d.; Palermi et al., 2021).Geralmente advindas de técnicas imprecisas, aquecimentos insuficientes ou esforços excessivos.
A prevenção das lesões exige uma combinação de boas técnicas de treinamento, boas rotinas de aquecimento e tecnologia para averiguar a carga muscular. A prática regular de exercícios físicos em academia propicia diversos benefícios à saúde, como aumento da força muscular, aumento da capacidade cardiorrespiratória e prevenção de doenças metabólicas.
No entanto, estar em contato constante com esforços repetidos e sobrecarga podem ser um fator aumentador de risco para o desenvolvimento de lesões musculares, especialmente quando os treinos são realizados sem técnica adequada ou controle da progressão (Keogh & Winwood, 2017).
A prevenção dessas lesões é crucial para que os treinos possam ser realizados continuamente e com segurança por pessoas que praticam musculação e outras modalidades fitness. Lesões musculares podem comprometer os treinos e a qualidade de vida dos praticantes. Estudos apresentam que as lesões estruturais indiretas dos membros inferiores (como distensões e rupturas parciais) estão comumente aparecendo entre os atletas ou frequentadores das academias, e geralmente são causadas por erros na execução dos movimentos ou aumento abrupto da carga de treino (Palermi et al., 2021).
Além disso, a falta de um planejamento adequado pode levar a um desequilíbrio entre treinamento e recuperação, fator diretamente associado ao risco de lesões (Drew & Finch, 2016). A relação entre sobrecarga e inflamação também é amplamente documentada, indicando que um controle inadequado da carga pode levar a tendinites e outras disfunções musculoesqueléticas (Maffulli et al., 2013).
Diante desse contexto, este artigo tem como objetivo identificar as lesões musculares mais comuns na academia e apresentar estratégias eficazes para preveni-las. Com base na literatura científica, abordaremos os principais mecanismos de lesão, os grupos musculares mais afetados e boas práticas para minimizar riscos, permitindo que os praticantes de atividades físicas treinem de forma segura e sustentável.
Lesões Musculares Mais Comuns na Academia
Distensão muscular: a distensão muscular é o resultado do alongamento excessivo das fibras musculares, o que leva à ocorrência de microlesões. A distensão muscular é comum durante ações explosivas ou bruscas, como correr, em velocidade e levantar peso. Os músculos mais frequentemente afetados por distensões musculares são os isquiotibiais e os quadríceps, além das panturrilhas. Os principais sinais de distensão muscular são dor aguda, inchaço e perda da força muscular (Maffulli et al., 2013).
Ruptura parcial ou total de fibras musculares: no sentido mais rígido, a ruptura muscular significa danos musculares mais sérios que envolvem a separação de suas fibras, que podem ser parciais ou completas. Enquanto a distensão resulta em microlesões, a ruptura pode inviabilizar a função muscular. O excesso de carga, o impacto direto e a falha na recuperação muscular são algumas das principais causas de ruptura muscular. Estudos mostram que a ruptura muscular é mais prevalente nos membros inferiores e está relacionada ao aumento da carga mecânica e à falta de descanso (Palermi et al., 2021). O tratamento inicial consiste em repouso, gelo e fisioterapia para a recuperação gradual.
Tendinite e Inflamações Musculares: O uso excessivo dos tendões pode resultar em tendinite, uma condição provocada pela inflamação, que gera dor, interfere na mobilidade e atinge, predominantemente, os tendões dos ombros, joelhos e cotovelos. A tendinite normalmente ocorrem como resultado da repetição excessiva de certos movimentos, sem permitir períodos de repouso adequados (Gray & Finch, 2015). Os sintomas podem ser expressos como dor leve ou dor funcional limitadora, sendo que alguns pacientes necessitam de fisioterapia para reabilitação.
Cãibras e Fadiga Muscular Excessiva Cãibras: são espasmos involuntários e dolorosos, que poderão resultar de desidratação, desequilíbrio eletrolítico ou fadiga extrema. Embora não sejam lesões significativas, cãibras podem fornecer indícios do estresse excessivo dos músculos e da predisposição que trazem para outras lesões musculares. Adicionalmente, a relação entre o excesso de carga de treino e a fadiga muscular tem sido do interesse de pesquisa, evidenciando que a não recuperação pode aumentar o risco de lesões (Drew e Finch, 2016; Hauret et al., 2015).
Como Evitar Lesões Musculares na Academia
Aquecimento e Mobilidade: a ativação muscular pré-treinamento é crucial para preparar as estruturas musculoesqueléticas para o exercício, diminuindo o risco de lesões (Keogh & Winwood, 2017). Os exercícios de mobilidade articular, os quais incluem rotações de ombro, strides dinâmicos e alongamentos ativos, contribuem para melhorar a amplitude de movimento e a função neuromuscular.
Técnica correta e Progressão lenta: a prevenção de erros na execução dos exercícios é uma forma de evitar lesões. Os aumentos progressivos de cargas e o controle do movimento garantem a adequada adaptação dos tecidos musculares e articulares, resultando em menos estresse mecânico excessivo (Drew & Finch, 2016).
Recuperação e Regeneração Muscular: o descanso adequado entre os treinos, associado à qualidade do sono e à alimentação balanceada, é fundamental para a recuperação muscular e prevenção de sobrecarregas (Maffulli et al., 2013).
Fortalecimento Muscular e Prevenção de Desequilíbrios: exercícios complementares para estabilização articular e um planejamento do treino periodizado são estratégias eficazes que minimizam desequilíbrios musculares e reduzem a incidência de lesões (Palermi et al., 2021).
Conclusão
Portanto, se almejamos a prevenção de lesões musculares na academia deve-se realizar uma abordagem multifatorial que envolve aquecimento adequado, técnica correta, recuperação eficiente e fortalecimento muscular. É fundamental que estratégias como mobilidade articular, controle da carga de treino e um planejamento bem estruturado sejam adotadas para reduzir o risco de lesões e garantir a continuidade dos treinos de forma segura (Keogh & Winwood, 2017; Drew & Finch, 2016).
Além disso, o descanso, a nutrição e o acompanhamento profissional permitem a minimização de lesões, promovendo a longevidade esportiva (Maffulli et al., 2013; Palermi et al., 2021). A prática segura e bem orientada contribui não apenas para o desempenho físico, mas também para a manutenção da qualidade de vida dos praticantes de atividade física.
Referencias
Loizides, A., Gruber, H., Peer, S. et al. Muskelverletzungen des Sportlers.Radiologe 57, 1019–1028 (2017). https://doi.org/10.1007/s00117-017-0292-1
Drew, M. K., & Finch, C. F. (2016). The relationship between training load and injury, illness and soreness: A systematic and literature review. Sports Medicine, 46(6), 861–883. https://doi.org/10.1007/s40279-015-0459-8
Gray, S. E., & Finch, C. F. (2015). Epidemiology of hospital-treated injuries sustained by fitness participants. Research Quarterly for Exercise and Sport, 86(1), 81–87. https://doi.org/10.1080/02701367.2014.975177
Hauret, K. G., Bedno, S., Loringer, K., Kao, T. C., Mallon, T., & Jones, B. H. (2015). Epidemiology of exercise- and sports-related injuries in a population of young, physically active adults: A survey of military servicemembers. American Journal of Sports Medicine, 43(11), 2645–2653. https://doi.org/10.1177/0363546515601990
Keogh, J. W. L., & Winwood, P. W. (2017). The epidemiology of injuries across the weight-training sports. Sports Medicine, 47(3), 479–501. https://doi.org/10.1007/S40279-016-0575-0
Maffulli, N., Oliva, F., Frizziero, A., Nanni, G., Barazzuol, M., Giai Via, A., Ramponi, C., Brancaccio, P., Lisitano, G., Rizzo, D., Freschi, M., Galletti, S., Melegati, G., Pasta, G., Testa, V., Valent, A., & Del Buono, A. (2013). ISMuLT guidelines for muscle injuries. Muscles, Ligaments and Tendons Journal, 3(4), 241–249. https://doi.org/10.11138/MLTJ/2013.3.4.24
Palermi, S., Massa, B., Vecchiato, M., Mazza, F., De Blasiis, P., Romano, A. M., Di Salvatore, M. G., Della Valle, E., Tarantino, D., Ruosi, C., & Sirico, F. (2021). Indirect structural muscle injuries of lower limb: Rehabilitation and therapeutic exercise. Journal of Functional Morphology and Kinesiology, 6(3), 75. https://doi.org/10.3390/JFMK6030075